quarta-feira, 24 de agosto de 2011

   É Domingo, me dirijo ao trabalho- trabalho alguns Domingos no mês, o frio é cortante e a garoa fina,
daquelas que encharcam, acentua a sensação.
   Ando devagar -aprendi, as avenidas quase vazias me dão certo prazer pois ouço poucos alheios
pensamentos, poucos olhares a me prescrutar.
   Ouço repetidamente uma música triste, mas que me deixa bem.
   Tenho tempo.

   Jahmatt-luz
   A hipocrisia é como uma esteira num movimento que não se pode acompanhar; mais hora menos hora
ela vai te derrubar. Se ao redor estiverem incautos, com certeza também sofrerão o impacto da queda.

   Jahmatt-luz
   Já é madrugada e não durmo, formigas passeiam pela mesa e o cheiro do alho já descascado impregna o
ambiente. Não fosse o ruído da geladeira o silêncio seria total.
   Uso fones de ouvido e ouço do celular, acredite quem quizer, Black Sabbath, até queria ouvir algo mais
"suave", mas me traria lembranças e tristeza; deixo assim mesmo.
   Resoluto e já ciente só vou me deitar bem mais tarde; solidariedade com alguém que amo e que nesse
horário ainda trabalha.
   Ainda que só, me sinto acompanhado; a insônia me abraça os ombros.

   Jahmatt-luz

sábado, 20 de agosto de 2011

   Apesar do sorriso raro sinto falta da alegria de ter o "point" que
me dava prazer, amizades inconstantes e o ganho necessário.

   Jahmatt-luz
   Guardo em local secreto as questões que me abrasam
   e sinto o cheiro forte da covardia alheia.

   Jahmatt-luz
   Sorvo cada gota dessa mistura amarga, solidão e tristeza.
   Embrutecido me torno e o gélido torpor me favorece.
   Trajo vestes leves, o peso existente já basta.

   Jahmatt-luz
   Diante do espelho entristeço, não me reconheço.
   Sobraram os olhos que sempre foram tristes;
   refletem a alma que já sabia.

   Jahmatt-luz
   Da lua plena absorvo a luz, seu brilho me encanta, inebria.
   A intensidade me invade, me sinto leve, livre...
   Lá dentro com pessoas agradáveis a energia é a mesma,
   leve, livre; queria mais, mais tempo com eles.

   Jahmatt-luz

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

      Quem sabe a vida me reserve mais algumas surpresas,
da última, só pesar...

   Jahmatt-luz
   Não me atenho a nada e de tudo faço parte.

   Jahmatt-luz
   Dormir sei que não vou já que a rotina não existe.
   Quem dera tivesse o sono das crianças, sem peso;
apenas descanso.

   Jahmatt-luz
   Das brumas segue o desvelo, e as manhãs já descortinadas.
   Nem sei mais o que sinto, se afeição ou horror, meu coração
já não me responde de tanta dor.

   Jahmatt-luz

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Nos poços

     " Primeiro você cai num poço. Mas não é ruim cair assim num poço de repente?
    No começo é. Mas você logo começa a curtir as pedras do poço. O limo do poço.
    A umidade do poço. A água do poço. A terra do poço. O cheiro do poço.
    O poço do poço. Mas não é ruim a gente ir entrando nos poços dos poços sem
    fim? A gente não sente medo? A gente sente um pouco de medo mas não dói.
    A gente não  morre? A gente morre um pouco em cada poço. E não dói?
    Morrer não dói. Morrer é entrar noutra."

                                                                         Caio Fernando Abreu

    Jahmatt-luz
   Lavo meu rosto com sabão em pedra, o tanque -este mesmo de lavar roupas, me sorri
com sorriso extravagante. Não tenho como descrever o sentimento, estou completo, até
exigente eu diria. Me cobra o sorriso a água fria e o sabão de "perfume" não agradável.

   Jahmatt-luz
   A mesma fronte que à luz da lua brilha, sob o calor do sol é luzidia, que
diferença há? nenhuma, todos iguais a cada dia...

   Jahmatt-luz
   Da palidez absoluta à tez que se desmancha ao suor, nada muda, tudo é.
   Seres sem identidade única e ainda assim únicos, todos com o mesmo fim;
   invólucros...

   Jahmatt-luz
   Não me apetece o olhar profundo; aquele que lhe prescruta a alma, nem o
sorriso largo; típico dos inseguros. O meu franzir de testa é legítimo, não me
importo com as rugas, prefiro tê-las ao desfigurado ser que não se aceita.

   Jahmatt-luz
   Renuncio à noite e à escuridão pois me tolhem escrever já que as palavras
me caem como uma cachoeira.
   Quizera ter olhos sempre claros comos os felinos, escreveria até nos momentos de profundo sono.

   Jahmatt-luz

terça-feira, 16 de agosto de 2011

   Penso em correr, fugir, mas pra onde, sem destino?
   Não me satisfaz; quizera saber pra onde, pra quem.
   Já não me sinto feliz com o "trecho", quero e preciso-
pelo menos por enquanto, de um lugar seguro; sombras
ainda me perseguem e em campo aberto me torno vulnerável.

   Jahmatt-luz

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

  Não possuo a (aparente) sapiência dos acadêmicos, apenas escrevo. Faltam-me os
vocábulos perfeitos e as concordâncias com esmero expressas; apenas escrevo o
que sinto, é simples assim; apenas escrevo o que sinto. Se de triste, sombrio ou
depressivo me batizarem; o que há de se fazer, não me dou à hipocrisia.

  Jahmatt-luz
  Não fosse o ruído entre panelas e o calor da cozinha, minha mãe atarefada a preparar
a comida, nem do alimento me lembraria. Me falta o apetite, aliás, não tenho prato
preferido nem me recordo de quando tive. Preocupava-me mais em atender e me fartar
da alegria de, poder ver nos olhos "dos meus" a mesa farta, no início, meio e no findar
do dia.

  Jahmatt-luz
  Melancolia, abraço-te como um filho, estende-me as mãos vazias, frias, ás vezes
mornas, porém, jamais cálidas. Reparto entre ti e a tristeza a companhia e choras
comigo a ausência e a perda.

  Jahmatt-luz
  O som suave do talher ao tocar a louça interrompo, o rítmo se perde e a nota que viria
a seguir - já que também é música, se perde. Batimentos no peito se aceleram por questões
vãs, típicas dos alienados. Me recordo de *Edgar Alan Poe e depois de Belchior - com
divina inspiração; "Nunca mais".
*O Corvo

Jahmatt-luz
  Quem dera voltassem as promessas e articulações pelo futuro "diferente", para as
quais eu exclamava em alto e bom som " amo e sou apaixonado". Arrependimento?
Não, penso em falta de amor próprio. Não posso deixar de citar Jorge Luis Borges,
" O perdão purifica o ofendido não o ofensor, a quem quase não afeta".

  Jahmatt-luz
Vivendo as oscilações pertinentes ao momento, volta e meia nem a
sombra das árvores me causam conforto.
A brisa já não me arrefece, depois a madrugada, já com a ausência
do calor típico do dia, insiste em fazer-se vã.

Jahmatt-luz

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

   A exatidão dos sentimentos me toma de assalto e me assusto. Insights me alvejam aos milhares.
   É como uma torrente de luz a me elucidar. Tudo fica muito claro, faz sentido, dimensionado, os
por quês desaparecem. Pena que a ocorrência ainda ande a passos lentos, com certeza não estou
pronto para a exposição duradoura.
   Sofro mais um pouco, retornam os por quês...

   Jahmatt-luz  02;30 am

terça-feira, 9 de agosto de 2011

   Não me pesam as pálpebras mas o cansaço me lembra que o  repouso é necessário.
   Sinto falta da cama que me acolhia como um colo e das noites que me traziam os
 sussurros do mar próximo.

  Jahmatt-luz  03:20 am
   Não me tenham como amargo - apesar da amargura - ou infeliz; apenas
 exponho a minha, ainda gritante, incapacidade em entender os " meus
 semelhantes"...

   Jahmatt-luz  03:15 am
   Penso que descobri o motivo do meu momento atual; conta minha mãe que à época
 em que nasci -sertão - as mulheres apanhavam para dar a luz, forçava-se o esforço
 para fazer vir o "ser". Com certeza minha alma sabia do que estava por vir, protelou
 por horas...

   Jahmatt-luz  03:10 am
   Segundo meu pai, nasci a dois dias da primavera - minha mãe discorda, afirma ser o dobro -,
 tanto faz. Talves isso explique porque sinto tanto frio; era inverno...

   Jahmatt-luz  03:05 am
   Não procuro ser aceito nem lembrado, faz parte do passado.
   A lisonja me causa náuseas pois, - com respeito às excessões -
 normalmente está de braços dados com a falsidade.
   De "sorrisos amarelos" estou farto e não suporto mais os
 abraços de meio corpo.
   Já nem procuro os "diferentes", sei que aparecerão no momento
 certo.
   Os "loucos" me atraem pela sanidade que transpiram.

   Jahmatt-luz  03:00 am
   O eremita - penso - é sábio poque é só, mesmo não tendo nada o nada se torna tudo; é
 tudo seu, sem concorrência, sem cobrança, livre para doar a si mesmo se necessário for.

   Jahmatt-luz  02:50 am
   Dizem que se a vontade for suficiente forte o desejo se realiza, penso então que devo estar
 atrelado a uma missão muito importante que me "cobra o passado longíquo" ou, sou  muito
 necessário como peça de um quebra-cabeça que precisa ser montado "agora".
   A insônia me faz companhia  com todas suas consequências que me esperam ao amanhecer.

   Jahmatt-luz  02:40 am
   Tenho pressa não sei pra que, sinto saudade mas não sei de onde; tenho apenas a
 certeza que não sou daqui, quero voltar e não sei como.
   Sinto a necessidade de passos firmes, me sentir; ser especial que sou; amado além
 de qualquer medida.

   Jahmatt-luz  02:30 am
   Apesar de todos os esforços havia uma inquietação que se fazia sentir como o ar; sutíl, sóbrio,
 necessário.
   O que há de vir, como virá, que aparência terá?
   Mal sabia o ingênuo em seu mundo "perfeito"; viria absurdamente diferente de tudo que imaginava,
 totalmente contrário; violento, cruel e acreditem; instrutor.;

   Jahmatt-luz  02:10 am
   Me deram costas largas e atribuem a mim suas mazelas; escondem-se à sombra do meu manto
 por  hora em trapos.
   Covardes, não assumem seus próprios caminhos - escolhidos com detalhes sórdidos e traiçoeiros-,
 esqueceram que há leis que não se subordinam nem aos mais profundos apelos; são leis.

   Jahmatt-luz  02:00 am

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

   Sob uma árvore maravilhosamente simétrica, linda, sinto a carícia do vento, viajo...
   Outrora com essa mesma semelhança de brisa a areia me roçava como uma amiga me dando as boas vindas...

   Jahmatt-luz
   Desconfio de todos os olhares, coração fechado.
   Não sinto a proximidade, perfumes não mais me inebriam,
o toque, a pele, nada me dizem.
   O beijo sem gosto não me encanta, de fato, morri...

   Jahmatt-luz
   Ah o calor; boas novas, disposição a mil, reencontros, sorrisos e brisas, muitas brisas.
   Help  me please!

   Jahmatt-luz
   O frio se faz necessário, deixa alerta, enrijece, fortalece, valoriza cada passo da caminhada.
   Estou frio, enrijecido, alerta...

   Jahmatt-luz

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

   As "perdas" que lamentamos tornam-se "ganhos" quando nos tornamos senhores de nós mesmos.
   Flutuando entre as emoções e sentimentos, tal qual quando nos lançamos ao mar ou nos envolvemos ao vento; não nos tornamos mar ou vento, porém, gozamos da sensação de ser e estar, paralelos, vivos, vivos...

Jahmatt-luz